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Dicas de Saúde Bucal

HORA DE PERDER O JUÍZO
Os terceiros molares mais atrapalham do que deixam o sorriso bonito


É muito comum, no período que marca o fim da adolescência, um grande percentual de pessoas começarem a sentir certo desconforto na boca. É o sinal de que os quatro últimos dentes da arcada dentária começaram a surgir e estão querendo romper a gengiva para, enfim, deixar a dentição completa. Os popularmente conhecidos dentes do siso ganharam este apelido por indicarem que é nesta idade, geralmente entre os 16 e os 20 anos que os indivíduos adquirem mais maturidade e, com isso, ganham juízo.

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Entretanto, para uma parcela daquelas pessoas que começaram a “ter juízo” esta fase da erupção dos últimos molares de cada lado dos maxilares também indicam que está na hora de perdê-los. Isso porque o nascimento de um siso, bem depois da formação dos dentes permanentes, resulta em uma nova acomodação dos elementos no osso, na gengiva e na arcada, o que, na maioria das vezes, implica o processo doloroso que pode culminar com sua extração. O diagnóstico completo do problema será validado de acordo com as radiografias panorâmicas que são de extrema importância para determinar a necessidade de remoção.
Segundo o cirurgião-dentista com especialização em prótese dentária, Richard Rastelli, “é durante o processo de erupção que começa o incomodo, já que o acúmulo de alimentos favorece o surgimento de inflamações no local. Para que não haja complicações futuras, a higienização é o primeiro passo para que o siso venha a erupcionar de maneira tranqüila e sem maiores transtornos para o paciente. Nesse caso, o uso de fio dental e enxaguatórios bucais, além de uma adequada escovação, é um cuidado essencial para evitar os processos inflamatórios”.
Esteticamente, ter ou não os dentes do siso não implica ter um sorriso comprometido. “Desde que o dente esteja fora da mastigação, ou seja, não erupcionado, incluso ou impactado, ele não afetará em nada, nem em estética e muito menos durante o ato de mastigar”, esclarece Rastelli, que também é proprietário de um consultório multidisciplinar em São Paulo.

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O especialista em prótese e implante e consultor científico da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Alexandre Martinelli, adverte que a visita regular ao dentista é importante para que possa ser feito um diagnóstico prévio do risco do paciente desenvolver alguma complicação. “Não existe uma idade mais indicada para retirada do siso, à indicação de remover ou não o dente deve ser definida o mais breve possível, antes que ocorram problemas. Caso o terceiro molar esteja bem posicionado, sem causar interferência na oclusão (encaixe dos dentes), e em condições de boa higienização, ele pode permanecer na boca pela vida toda”, explica o cirurgião-dentista.
Ainda, segundo Martinelli, é necessário haver indicações bem precisas para a remoção do dente. Tratando-se de elementos que já aparecem na boca, os fatores que determinam a retirada são a falta de espaço para a erupção, o mau posicionamento do dente, cáries muito grandes, impossibilidade de realização de tratamento de canal e, até mesmo, a indicação para o uso de aparelhos ortodônticos. Nos casos em que nem chegam a aparecer (inclusos), a remoção é indicada quando há a possibilidade de formação de cistos ao redor do dente que está no interior do osso. “As pessoas normalmente têm aflição de tirar o siso e sempre relacionam a remoção a um processo muito doloroso. Na verdade, esta cirurgia avançou muito e, atualmente, o pós-operatório é mais tranqüilo e confortável”, conclui Martinelli.
A importância dos dentes do siso remonta ao período que compreendeu a pré-história naquela época, o homem tinha uma vida mais selvagem e utilizava toda a arcada dentária para dilacerar os alimentos e triturá-los, pois não havia ferramentas que o auxiliasse na tarefa. Com o passar do tempo e o surgimentos dos talheres o uso dos últimos dentes durante o processo mastigatório, foi cada vez menos exigido.
“Há muitos casos detectados de dentes sem forma alguma, com raízes e coroas atípicas e que dificultam a extração do dente. Em outros casos há pacientes que apresentam apenas dois ou três destes terceiros molares”, esclarece Richard Rastelli. Os dentes do siso do ser humano ao que indica a evolução das espécies preconizada por Charles Darwin caminham para o seu completo desaparecimento.

Fonte: Revista Odontologia em Grupo – Ano 1 - no. 1

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