RITUAIS OBSCESSIVOS
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Transtorno que atinge sete milhões no Brasil tem causas emocionais, genéticas e ambientais
O despertador tocou ás 6h32.Virei três vezes na cama, apertei o pino com a mão direita e peguei o chinelo com a mão esquerda.Caso não fizesse dessa forma, algo de muito ruim poderia acontecer com aminha mãe, talvez uma doença grave ou até a morte.” Parece cena de filme, mas essa história foi extraída do site do Ambulatório de Ansiedade (Amban) do Instituto de psiquiatria (Ipq ) do Hospital das Clínicas de são Paulo (HCFMUSP) e relata o que aconteceu com a paciente acometida pelo transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Presente em cerca de 2% da população, estima-se que esse distúrbio atinja até 7 milhões de brasileiros .
“O TOC é caracterizado pela presença de pensamentos repetitivo e invasivos, que despertam ansiedade, e acabam levando à realidade de comportamentos também repetitivos para aliviar esse desconforto. Esses comportamentos são as compulsões”, explica a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, pesquisadora do Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo Compulsivo (Protoc) da Faculdade de Medicina da USP.
Certos tiques como franzir a testa ou morder os lábios são considerados comuns, desde que não interfiram na vida do indivíduo. “Manias não são necessariamente ligadas a pensamentos obsessivos, podem ser apenas hábitos muitos freqüentes.Tiques são movimentos (ou vocalizações) involuntários, ou seja que não obedecem ao controle do indivíduo. As manias, entretanto, podem indicar a presença de TOC quando não podem ser interrompidas ou se há um pensamento obsessivo associado. E os tiques estão presentes em diversas doenças neurológicas. Uma delas, a Síndrome de Tourette está associada ao TOC”, comenta Antonio Leandro Nascimento, psiquiatra e conselheiro do Programa ABP Comunidade, ação promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria.
“Para uma pessoa ser diagnosticada como portadora de TOC, ela deve apresentar obsessões e/ou compulsões que interfiram de maneira significativa na sua vida e que causam a perda de uma parte considerável de seu dia, de pelo menos uma hora por dia”, acrescenta o especialista da ABP.
Já para o psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo, Sergio Klepacz, outros vícios podem ser confundidos com o TOC, porém seus sintomas são distintos. “Outra causa de confusão acontece nos casos de vícios e compulsões por jogo, sexo ou drogas, que vem acompanhada pelo prazer posterior ao comportamento. No TOC, o processo é seguido de angústia e sofrimento”, lembra o profissional.
Os rituais são inúmeros, destacando-se os mais “comuns” como lavar as mãos após tocar em objetos que são “depósitos” de bactérias e podem transmitir doenças, arrumar quadros e livros numa ordem que considera “correta” para que nada de mal aconteça consigo ou com um ente, guardar jornais e revistas na menção de consultá-los no futuro.
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