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Dicas de Saúde Bucal

REFRIGERANTES TÊM EFEITOS CATASTRÓFICOS SOBRE OS DENTES

Com a redução da prevalência de cárie a partir dos anos 60, a preocupação com a perda dos dentes tem se voltado para outras causas, entre as quais a erosão dental, que pode ser definida como o resultado físico de uma perda de tecido duro da superfície dos dentes provocada por ácidos e/ou quelantes, sem o envolvimento de bactérias. Os resultados podem ser catastróficos para a saúde bucal, uma vez que perdas de tecido podem gerar sensibilidade, dor e má aparência. Além disso, a restauração do esmalte e/ou dentina perdidos é difícil, onerosa e requer contínuo acompanhamento. Os refrigerantes aparecem como um dos principais causadores de erosões dentárias e, por isso, Cláudia Fushida e Jaime Cury, da Universidade Estadual de Campinas, resolveram avaliar o efeito da freqüência da ingestão de refrigerantes na erosão de esmalte-dentina e estudar a capacidade biológica da saliva na erosão das alterações.

Para tanto, foram utilizados dentes bovinos, a partir dos quais se prepararam blocos de esmalte e dentina radicular adequados para determinação de microdureza superficial. Nove voluntários, utilizando dispositivos intra-orais palatinos, contendo 4 blocos de esmalte e 4 de dentina, participaram do trabalho em 4 etapas, nas quais a Coca-Cola foi de 1 a 8 vezes ao dia. De acordo com o artigo publicado  na edição de abril/junho da Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo, “Os fatores responsáveis pela erosão podem ser extrínsecos, intrínsecos ou idiopáticos”. Erosão extrínseca é o resultado de ácidos de origem exógena, por exemplo, o contido nos refrigerantes. Intrínsecos são os ácidos produzidos por vômitos, regurgitação e refluxos recorrentes. Idiopáticos são ácidos de origem desconhecida”.

Os resultados mostram que, em função da freqüência de ingestão de refrigerante, a porcentagem de perda de dureza foi de 18,7 a 27,9 para o esmalte e de 24,6 a 32,6 para a dentina. A porcentagem de recuperação de dureza pela ação da saliva foi parcial, variando de 43,6 a 35,6 para o esmalte e de 40,5 a 34,6 para a dentina. Segundo a equipe, “houve também uma correlação significativa entre a freqüência de ingestão de Cola-Cola e a porcentagem de perda de dureza, sendo de 0,97 para o esmalte e de 0,72 para a dentina. Por outro lado, em termos de recuperação de dureza, a correlação foi negativa, -0,70 para o esmalte e -0,74 para a dentina”.
Dessa forma, os pesquisadores concluem que, dependendo da freqüência de ingestão de refrigerante, há perdas proporcionais e irreversíveis da estrutura superficial tanto do esmalte como da dentina. “Em função da natureza de fenômeno de erosão, somente medidas de promoção de saúde bucal poderiam contribuir para o seu controle. Desse modo, a orientação para reduzir a freqüência de contato dos dentes com refrigerantes, alimentos ácidos ou medicamentos é o conselho mais lógico e efetivo”, ressaltam no artigo

Fonte:
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)

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