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Dicas de Saúde Bucal

DISTÚRBIOS ALIMENTARES PROVOCAM PROBLEMAS À SAÚDE BUCAL

Transtornos alimentares são quadros psiquiátricos por alterações no hábito alimentar, associados a uma distorção do modo habitual de vivenciar a imagem corporal, gerados, muitas vezes, pela obsessão do corpo perfeito, causando desconforto e/ou riscos importantes para a saúde. Atualmente são reconhecidos vários tipos de problemas, mas os dois que chamam mais atenção são a anorexia e a bulimia, que provocam grandes danos à saúde bucal do paciente.

De acordo com a pesquisa da cirurgiã-dentista Raquel Bozza Ferreira Mendes, especialista em dentística restauradora e cooperada da Uniodonto de Campinas, o cirurgião-dentista pode ser um dos profissionais mais indicados a detectar a ocorrência desses problemas. No ambulatório de Transtornos Alimentares da Universidade de Campinas (Unicamp), Raquel conseguiu diagnosticar diversas manifestações bucais desses distúrbios da alimentação, já que o jejum prolongado ou vômito provocado constantemente pelos pacientes causam erosões muito características nos dentes.

A anorexia caracteriza-se pela recusa de manter o peso corporal no valor recomendado para a pessoa. O anoréxico tem medo de ganhar peso ou de ficar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal. Quem é acometido pelo distúrbio altera o modo de sentir seu peso, é rigoroso na auto-avaliação e deixa de alimentar-se.

Os ideais de sucesso e beleza do mundo atual reforçam a magreza excessiva e as adolescentes, mais expostas a esse modelo, acabam sendo vítimas da anorexia, que é até nove vezes mais freqüentes em mulheres do que em homens. O distúrbio tende a aparecer durante a puberdade, com picos de incidência aos 14 e 18 anos de idade. As conseqüências são inevitáveis: problemas com menstruação, quadros de osteoporose por falta de cálcio e desnutrição e outros danos à saúde. Nos casos mais críticos, a doença leva à alteração do funcionamento cardíaco, a sinais clínicos de desnutrição grave, ao edema generalizado, à perda de cabelo e alterações nas unhas.

As lesões nos dentes, no estômago e no esôfago também são detectadas neste estágio. O problema é grave, uma vez que a mortalidade por causa da doença pode atingir 20% dos casos, ou seja, de cada cinco pessoas vitimadas, uma pode morrer se não for tratada.

Já a bulimia caracteriza-se pela ingestão exagerada de comida em curtos episódios de tempo durante o dia. Em geral, há uma sensação de descontrole quando se come exageradamente, como conseqüência desse comportamento, há o desconforto físico que causa uma imensa sensação de culpa. O resultado desse sentimento leva a pessoa a provocar vômitos constantes e usar laxantes e diuréticos como forma de eliminar o “processo de engorda”. Há também atitudes radicais, como colocar o dedo ou objetos na garganta para provocar o vômito. Os danos causados pelos vômitos constantes atingem os dentes, pois o ato de vomitar leva suco gástrico à boca, desgastando o esmalte dos dentes que ganham aparência escuro-acizentada.
Assim como a anorexia, a bulimia atinge mais fortemente o sexo feminino, na proporção de nove mulheres para um homem, e aparece no início da idade adulta.

Esta doença tem também importantes conseqüências clínicas, como alteração do funcionamento cardíaco, lesões intestinais, renais, nos dentes, estômago e esôfago.
Em ambos os casos, os sintomas podem ser acompanhados por diversas manifestações bucais: hipersensibilidade dentária, edema de glândulas salivares, problemas gengivais, aumento de incidência de cárie, erosão dentária, bruxismo e apertamento dentário. O dentista pode detectar a incidência de bulimia e anorexia durante um tratamento dentário e, neste caso, colaborar para a resolução do problema.

Esse tipo de constatação altera necessariamente a forma de trabalho dos profissionais da odontologia, pois se antes o dentista se limitava a restaurar os dentes e devolver a função de mastigação, hoje è preciso ir mais além de uma forma muito delicada, porque uma abordagem equivocada pode piorar o estado emocional desses pacientes. A cura desta doença deve ajudar a pessoa não só no aspecto estético, mas principalmente no psicológico.

Talvez a maior dificuldade que o dentista enfrente com seus pacientes portadores de distúrbios alimentares seja no fato de que ele, como profissional da odontologia, não receba treinamento adequado para abordar essas questões com o paciente e encaminhá-lo para o tratamento psicológico ou até mesmo psiquiátrico.

Colaboradores: Dra. Raquel Antônia Bozza Ferreira Menezes, especialista em Dentística Restauradora. Dra. Daphene Rocha Marussi, médica do Ambulatório de Transtornos Alimentares da Universidades de Campinas (UNICAMP). Dra. Cybelle Weinberg, psicanalista e pesquisadora do Ambulatório de Bulimia e Transtornos alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e Coordenadora da Clínica de Estudo de Pesquisa em Psicanálise da Anorexia e Bulimia do Departamento de Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapienti de São Paulo.

Fonte: Jornal Uniodonto de Campinas
/ Ano VI – Nov./Dez. 2006

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