SAÚDE BUCAL NO PERÍODO PRÉ-NATAL
Você, cirurgião-dentista que está lendo este texto, acredita que as gestantes possam passar todo período gestacional sem assistência odontológica? Como podemos aceitar que infecções bucais estejam presentes sem que alguém se preocupe com isso?
Hoje, sabe-se que gestantes precisam de tratamento odontológico. Inúmeras pesquisas têm publicadas em revistas odontológicas e médicas provando que há relações estreitas entre infecções periodontais avançadas e o risco de desenvolvimento de parto prematuro, nascimento de bebês de baixo peso e pré-eclâmpsia. Isso aumenta consideravelmente a importância do cirurgião-dentista no pré-natal que o obstetra realiza.
O próprio Ministério da Saúde do Governo Federal, em seu Manual de Assistência Pré-Natal, cita a assistência odontológica como sendo parte integrante do processo pré-natal. Alguns países do mundo estão exigindo que convênios médicos englobem o atendimento odontológico das gestantes em seus planos, independente da paciente possuir plano odontológico. Será à toa? Não, com certeza não.
Em pesquisa recentemente realizada, observamos que nem sempre os médicos obstetras de Campinas e região indicam a avaliação odontológica para suas pacientes e que grande parte das gestantes não imagina que as infecções bucais possam se disseminar pelo resto do organismo. Por isso, nosso papel de educação nesse sentido é fundamental.
Visando o diagnóstico de doenças bucais, sugere-se que, pelo menos, uma visita odontológica seja realizada durante o período gestacional. Essa mentalidade contribuiria para a melhoria da saúde das gestantes. Lembre-se de atentar para os cuidados específicos desse atendimento como aferição obrigatória em todas as consultas.
Caso haja necessidade de tratamento odontológico, não se esqueça dos cuidados quanto aos anestésicos locais, vasoconstritores, analgésicos, antiinflamatórios, antibióticos, dentre outras drogas. Atente para o fato de que muitas dessas drogas são contra-indicadas durante alguns períodos específicos.
Abaixo tabelamos sugestões de medicamentos que podem ser utilizados, mas nunca se esqueçam de consultar as bulas nos momentos de dúvidas.
Medicação |
Droga |
Contra-indicação |
Analgésico |
Paracetamol |
Ver Obs. |
Antiinflamatório não esteroidal |
Diclofenaco potássico |
Principalmente terceiro trimestre |
Antiinflamatório esteroidal |
Betametasona |
Ver Obs. |
Antibióticos para infecções leves |
Amoxilina, Esterato de Eritromicina |
Ver Obs. |
Antibióticos para infecções graves |
Metronidazol associado à Amoxilina ou Clavulanato de Potássio associado à Amoxilina |
Metronidazol – evitar no primeiro trimestre |
Ansiolíticos |
Nenhum é absolutamente seguro |
|
Anestésico local |
Lidocaína 2% |
Ver Obs. |
Vasoconstritor |
Adrenalina 1:100.000 ou 1:200.000 |
Ver Obs. |
Obs.: Pela indisponibilidade de pesquisas controladas em gestantes e pelo risco presumido de qualquer droga utilizada durante o primeiro trimestre, deve-se evitar qualquer prescrição nesse período, desde que possível.
Obs. Lembre-se de utilizar as drogas pelo menor tempo possível.
Geralmente os analgésicos devem ser utilizados por 24 horas, os antiinflamatórios por, no máximo, 48 horas e os antibióticos devem ser utilizados conforme a remissão dos sintomas, geralmente entre 3 e 5 dias.
Dr. Gabriel Tilli Politano Cirurgião-Dentista especialista e mestre em Odontopediatria, Doutorando em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Professor da disciplina de Odontopediatria das Faculdades de Odontologia da PUC-Campinas, São Leopoldo Mandic e UNIARARAS.
Fonte:
Uniodonto News – Ano 8 no. 111 – Março/2008
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