PLASMA RICO EM PLAQUETAS + VIDRO BIOATIVO NO TRATAMENTO DE DEFEITOS (ÓSSEO PERIODONTAIS EM HUMANOS)
FERNANDA B. POMPONIO, LUCIANA A. MALTAGLIATI, EDUARDO SABA-CHUFJI, GUILHERME SAAVEDRA
A proposta de Regeneração Tecidual Guiada (RTG) há muitos anos norteia trabalhos científicos em Periodontia, destacando-se os resultados clínicos mais frequentemente avaliados: nível de inserção clínica, nível ósseo, profundidade à sondagem e posição da margem gengival(9).
Sabe-se que o plasma rico em plaquetas (PRP) favorece a atividade de fatores de crescimento em benefício da regeneração tecidual91-6,9,11,16,17, formando um composto rico em células e proteínas polipeptídicas capazes de induzir a diferenciação de células mesenquimais a atividade celular(5). Desta forma, os estudos demonstram que os fatores plaquetários interferem tanto na proliferação, diferenciação e quimiotaxia das células como na síntese de matriz extracelular, auxiliando, assim, a reparação dos defeitos2,3,15. Observa-se que os principais fatores de crescimento encontrados no PRP são fatores de Crescimento Derivado de Plaquetas (PDGF) e o Fator de Crescimento Transformante Beta (TGF)4.
Como já evidenciado em estudos anteriores, o vidro bioativo possui propriedades antibacteriana, hemostática, osteocondutora e osteoestimulante. Apresenta total absorção, é de fácil manuseio, denota bioatividade e incorporação ao tecido ósseo e conjuntivo do hospedeiro sem encapsulamento fibroso, além de ser de preparo rápido e fácil7,13,14.
Em âmbito celular, destaca-se que ele pode contribuir para a inibição do crescimento epitelial no interior do defeito, por um possível mecanismo selador, relacionado com a ligação rápida de colágeno à superfície de sílica gel da partícula de vidro bioativo reativo, favorecendo, portanto, a migração das células do ligamento periodontal14.
Neste estudo, observou-se, clinicamente, o uso de vidro bioativo cerâmico-Perioglass – associado ao plasma rico em plaquetas, no tratamento e na recuperação de defeitos intra-ósseos periodontais.
PROCEDIMENTOS E RESULTADOS
A paciente M.A.A.V., 34 anos, sexo feminino, leucoderma, casada, compareceu ao Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo, para tratamento de doença periodontal crônica.
Durante a anamnese, ele relatou ter hipotereoidismo controlado através de uso de medicação e, nos exames laboratoriais, não se verificou nenhum impedimento para qualquer tipo de tratamento periodontal.
Após os procedimentos iniciais de praxe, terapia ativa de controle da placa bacteriana, contenção na região do dente 44, raspagem e alisamento radicular e eliminação de comprometimentos endodônticos, propôs-se o tratamento regenerador para o primeiro pré-molar inferior direito, que apresentava defeito ósseo na face mesial da raiz (Figura 1), com perda de inserção de 13 mm.
Iniciou-se, então, a cirurgia pela retirada de 30 ml de sangue, distribuídos em tubos Vacutainer de 5ml com citrato de sódio a 0,012 N – anticoagulante.
Dando seguimento, procedeu-se à centrifugação, a 2.500rpm, durante quatro minutos, o que permitiu a separação do plasma rico em plaquetas, que foi, em seguida, transportado para a placa de Petri, adicionando-se cloreto de cálcio a 10%, para reverter a anticoagulação, e vidro bioativo, antes do tempo de geleificação.
Após a anti-sepsia e o bloqueio anestésico, realizaram-se incisão sulcular e deslocamento total do retalho no sítio cirúrgico, dando seqüência com deslocamento parcial lateral e apicalmente, expondo-se, a seguir, todo o defeito ósseo (Figura 2).
Para a raspagem e a desintoxicação radicular, utilizaram-se doxicilina gel a 2% e a boca esférica diamantada, tamanho 2, em alta rotação, com a finalidade de perfurar as paredes ósseas do defeito.
Em continuidade a esse procedimento, PRP + vidro bioativo foram colocados e ligeiramente pressionados contra o defeito ósseo com o auxílio de um calcador e um brunidor (Figura 3).
Utilizou-se, ainda, uma porção de plasma rico em plaquetas sem vidro bioativo para recobrir o defeito preenchido, e o retalho, uma vez reposicionado, foi suturado com um fio de seda 6-0.
Acompanhando-se a paciente por um ano, observaram-se, então, mudanças significativas – visíveis radiograficamente – tanto no aumento da densidade, quanto no preenchimento do defeito ósseo (Figuras 4 A e 4B).
Verificaram-se, assim, redução da profundidade à sondagem e ganho no nível de inserção de 4mm (Figuras5 A e 5B). Confirmou-se, além disso, a neoformação óssea, in locu, em uma segunda intervenção cirúrgica de enxerto conjuntivo.
DISCUSSÃO
O potencial terapêutico dos fatores de crescimento plaquetários despertou interesse nos últimos anos, ressaltando-se, nesse sentido, sua aplicabilidade clínica e aceleração da maturação dos tecidos duros com a utilização de enxertos autógenos e aloplásticos2-7,15.
Os trabalhos encontrados na literatura – baseados em casos clínicos5 – levaram questões polêmicas quanto à concentração inicial de plaquetas, à incorporação dos fatores de crescimento ao material após o processamento e às variáveis de acordo com a técnica de obtenção do PRP, o que gera dúvidas sobre sua efetividade5.
A vantagem que o PRP apresenta de ser um composto autógeno, podendo seu utilizado sem riscos aos pacientes2,5,11,12,15 contrapõe-se à desvantagem da sua forma de preparação, que envolve a utilização do cloreto de cálcio combinado coma trombina bovina – aceleradores da formação do gel de PRP.
Visto que a trombina pode estar associada com o desenvolvimento de anticorpos contra os fatores de coagulação V, XI e trombina, há o risco das coagulopatias, ensejando, assim, o estudo de novos métodos de ativação de PRP8.
Nesse sentido, a utilização do vidro bioativo particulado – que há muito se estuda10,12,14 – demonstra resultados clínicos significativos, principalmente em relação à redução da profundidade sulcular, enquanto seqüela da bolsa periodontal15.
CONCLUSÃO
Com base no relato do caso clínico acima, é lícito concluir que:
Apesar de evidências regenerativas só serem obtidas pelos métodos de microscopia4,5,9,14, tanto o ganho de inserção clínica como a constatação de neoformação óssea sugerem à regeneração tecidual14.
Sendo assim, os resultados obtidos neste caso clínico constituem-se em importantes indicativos da relevância de mais investigações.
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figura 01
Radiografia Inicial.
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figura 02
Exposição cirúrgica do defeito ósseo.
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figura 03
Colocação do PRP associado ao vidro bioativo.
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figura 04
Aspecto radiográfico após um ano de acompanhamento.
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figura 05
Aspecto clínico
após um ano de acompanhamento.
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figura 06
Mensuração da profundidade de sondagem anterior à cirurgia.
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figura 07
Mensuração da profundidade de sondagem um ano após a cirurgia.
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Referências Bibliográficas:
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