EMERGÊNCIA NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO
Orientações para atendimento de Mulheres em período de
gestação, menstruação, e lactação - Ivan Haidámus*
Período de Gestação O maior problema existente no tratamento das gestantes é a insegurança que norteia as futuras mães. A gestante tem fantasias de vida e de morte, portanto, nossas atitudes deverão ser cautelosas, não demonstrando insegurança, orientando-a quanto a forma de higienização bucal, pois é normal aumentarem as lesões cariosas e os sangramentos gengivais. Logo nas primeiras consultas devemos orientá-la quanto à maneira correta de escovar os dentes, uso de fio dental, fatores nutricionais e demais procedimentos que possam minimizar os fatores locais deletérios da saúde oral. É verdade que existem fatores coadjuvantes, os quais poderiam intervir na má condição oral que às vezes se apresentam como fatores hormonais e psíquicos. O comportamento das gestantes junto ao profissional muito se assemelha a de uma criança, choro, medo, insegurança, são fatos que ocorrem com freqüência nessas condições.
Cuidados que devemos ter no atendimento às gestantes
Quando possível devemos consultar o médico assistente (ginecologista) para eventuais recomendações. Mensurar a pressão arterial. Geralmente as gestantes são hipotensas. A P.A . diastólica não poderá estar entre 9 e 11. Estes níveis pressóricos podem levar a complicações para a gestante (pré-eclampsia). A consulta ao ginecologista deverá ser obrigatória nesses casos! Não recomendamos o uso de anti-inflamatórios, principalmente anti-inflamatórios não-esteróides (AINE), pois atuam em prostaglandinas (os leucotrienos) provocam vasoconstricção em resposta à ação das prostaglandinas que têm uma potente ação vasodilatadora, podendo desta forma desenvolver o “fechamento” prematuro do ducto arterioso que irriga o feto!). Tylenol (Paracetamol) é o analgésico de escolha neste período. Não apresenta ação anti-inflamatória. Antibióticos Amoxilina e Cefalexina (Ex.: Keflex) Observação: Quando a paciente for alérgica à penicilina devemos prescrever a Clindamicina, não recomendamos o uso de Eritromicina, pois costumam provocar distúrbios gastrointestinais. As anestesias locais (analgésicos locais) poderão ser feitas normalmente excetuando-se nos últimos meses (7 ao 9 mês), principalmente anestésicos contendo vasoconstrictores, pois podem exercer influência sobre a musculatura uterina. A Lidocaína poderá ser usada desde de que a paciente não apresente arritmias importantes. O primeiro mês e meio é o período de formação dos órgãos, portanto devemos ser cautelosos em relação ao uso de anestésicos, prescrição de medicamentos e uso de RX. Observação: Nem sempre a Paciente poderá ter certeza que está “grávida” durante esse período!
Uso de RX. As radiografias são auxiliares no diagnóstico, portanto, devemos lançar mão de seu uso para que nos ajude a esclarecer eventuais dúvidas durante o tratamento. No entanto, deverá ser evitado sempre que pudermos adiá-lo para depois do período de gestação. As radiografias periapicais possuem radiação de 0,5 rad, portanto a realização de até 100 radiografias periapicais não iria causar nenhuma alteração para o feto e o metabolismo da gestante. Para finalizar deixaremos um recado: O medicamento número um para a gestante é a palavra!
Período de Menstruação. Se bem que não constituam uma Verdadeira contra-indicação para prática de intervenções cirúrgicas, os períodos menstruais não são favoráveis por várias razões. São citados casos de suspensão, e também de hemorragias rebeldes, após intervenções cirúrgicas efetuadas durante os períodos menstruais.
Não é conveniente uma operação durante esse período, nem mesmo se tratando de uma intervenção simples, como uma extração. As intervenções podem muito bem ser adiadas, já que se trata apenas de um período de alguns dias. Todavia, no caso de qualquer intervenção que necessite de urgência, é claro que devemos intervir imediatamente, passando para um segundo plano os possíveis inconvenientes. Os tratamentos clínicos poderão ser realizados normalmente. Observação: Não recomendamos que se faça intervenções cirúrgicas em pacientes que se encontram com anemia ferropriva (a maior porcentagem de hemoglobina encontra-se sob a forma de ferro).
Período de Lactação Segundo alguns autores, este período não constitui contra-indicação operatória, no entanto, contribui para a ocorrência de riscos, como por exemplo: a passagem para o leite de tóxicos utilizados na anestesia, acabando por prejudicar o filho. Mas a quantidade de adrenalina e novocaína ou mesmo de qualquer anestésico geralmente ingerido, é sempre pequena e a nosso ver, esse inconveniente não tem razão de ser, mesmo porque pode-se suprimir as mamadas logo após a operação, substituindo-a provisoriamente, por uma alimentação artificial. Observação: Não devemos utilizar Cloranfenicol (antibiótico) em pacientes que se encontram no período de lactação. Estas pacientes poderão eventualmente sentir palpitações decorrentes da maior presença de Ocitocina (hormônio antidiurético).
*Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. È ministrador do Curso de Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola-2000). |
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