ODONTOLOGIA PARA PACIENTES PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS.
A terminologia “portadores de necessidades especiais (PNE)” vem substituindo os já tão conhecidos e utilizados termos “portadores de deficiência” e excepcionais. A definição de pacientes especiais já está formulada de comum acordo entre as associações de diversos países como a IADH (Internacional Association of Dentirtry for the Handicapped).
O objetivo é a desmistificação de que estas pessoas apresentam deficiências como sinônimo de incapacidade de participação e integração na comunidade como um todo. Serve de alerta para que a sociedade respeite suas limitações e de que elas apresentam necessidades especiais diferenciadas, mas são capazes de oferecer sua parcela a sociedade da qual participam.
A classificação do Paciente Portador de Necessidades Especiais nos é dada segundo os comprometimentos e/ou as áreas comprometidas pela patologia presentes naquele indivíduo.
Desta forma, teremos dez diferentes grupos, conforme segue:
1) Desvios de inteligência;
2) Defeitos físicos;
3) Defeitos congênitos;
4) Desvios comportamentais;
5) Desvios psíquicos;
6) Deficiência sensorial e de áudio comunicação;
7) Doenças sistêmicas crônicas;
8) Doença endócrino – metabólicas;
9) Desvios sociais;
10) Estados fisiológicos especiais.
O termo excepcional continua com raízes fortes, porque exprime a idéia de que alguém necessita de ajuda para sua reabilitação à sociedade e disso são capazes, dependendo de suas potencialidades. A palavra excepcional tem influências altamente significativas perante a sociedade, é necessário esclarecer quem é o excepcional, o que ele faz, o que ele é capaz de fazer, suas capacidades e necessidades especiais. Mudar um termo consolidado é muito difícil, seria necessário uma ampla mobilização e divulgação. Ainda são encontradas na literatura algumas definições utilizando o termo excepcionais, aqui entendido como portadores de necessidades especiais.
Ultimamente, na Odontologia existe um movimento maior no entendimento e na prática clínica oferecida a portadores de necessidades especiais. Foi assim, regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia, a especialidade de Odontologia em pacientes com Necessidades Especiais. Na prática, há muito tempo a Odontologia para Pacientes Portadores de Necessidades Especiais vem sendo praticada por profissionais dedicados. Construíram seus conhecimentos garimpando cursos e leituras em várias áreas da saúde e educação. No entanto ainda é pouco conhecida. Dados epidemiológicos ou sobre serviços odontológicos a estes pacientes são escassos, mas muito necessários para o planejamento de uma atenção odontológica de maior qualidade para este grupo específico da população.
Com o reconhecimento, esta Especialidade da Odontologia vem se organizando para o maior entendimento e estruturação da prática clínica aos portadores de necessidades especiais. As técnicas e adaptações da odontologia dizem mais respeito aos conhecimentos científicos e ao manejo das limitações e necessidades dos pacientes.
Na odontologia, os cuidados são os mesmos para todos os pacientes sejam ou não portadores de necessidades especiais. Além de todos estes cuidados, alguns PNE necessitam outras atenções, em acordo com suas deficiências e potencialidade. Aqueles que têm dificuldade motora precisam de ajuda de outras pessoas para realizarem higiene bucal. Outros, que têm dificuldades de entendimento, precisam de instruções repetitivas de higiene, até que possam assimilar estas tarefas.
Na erupção do primeiro dente, é recomendável ir ao consultório dentário, onde será analisada as atenções especiais deste paciente, segundo suas necessidades. Apenas alguns PNE com certas características especiais (síndromes) apresentam alterações de forma e número dentário. A maioria tem dentição semelhante a outros pacientes, que pode ser anormal, segundo suas características genéricas ou adquiridas.
Os pacientes com fissura palatina, por exemplo, devem ser acompanhados por cirurgiões, ortodontistas e fonoaudiólogos, entre outras áreas da saúde. Existe alteração de posicionamento dentário, principalmente nos fissurados totais, em que a fissura palatina se estende até o lábio. Se tratados precocemente desde os primeiros dias de vida e orientando a forma correta da amamentação os problemas diminuem.
O atendimento ambulatorial deve ser sempre realizado em conjunto com a família e por profissional capacitado. Estas pessoas têm uma necessidade aumentada para o cuidado preventivo odontológico: para prevenção de cárie e doenças periodontais. A maioria destes pacientes não apresenta plena capacidade de realizar seus cuidados bucais necessitando da ajuda de demais pessoas. A participação de familiares ou responsáveis nestes cuidados é fundamental para o sucesso do tratamento odontológico e para promoção da saúde bucal do paciente.
A primeira abordagem odontológica deve ser composta de uma aproximação com o paciente e familiares assim como o conhecimento das condições médicas preexistentes. Salienta-se que muitos destes pacientes apresentam complicações orgânicas. O melhor atendimento exige uma integração das áreas odontológica e médica, psicológica, social, etc. O dentista especialista realiza o exame bucodentário, avalia o comportamento do paciente, dos familiares, e o relacionamento entre ambos. Da mesma forma que para crianças normais, faz-se o condicionamento psicológico do paciente especial, para que se obtenha sua cooperação, antes de quaisquer outros recursos. A contenção física ou química somente é utilizada diante da ineficiência dos métodos psicológicos. O atendimento odontológico em pacientes especiais, atualmente, pode ser feito em três modalidades: a normal, que é o atendimento em que existe a cooperação por parte do paciente, alterando-se somente o tipo de ambiente, instrumental e material odontológico a ser empregado; o condicionado, que utiliza técnicas de demonstração com todo o aparato odontológico, para que o paciente saiba, antes de ser atendido, o que será utilizado em sua boca, incluindo as de vibrações e ruídos que farão parte do atendimento proposto; e o sob contenção (Mecânica, química, hipnose). Os pacientes que apresentem problemas graves no que se refere à cooperação e ao manejo devem ser considerados dentro do grupo com indicação para a contenção química e anestesia geral. Todo tratamento odontológico é considerado como parte de um programa permanente de saúde bucal. Dentro desse programa, as medidas preventivas e as restauradoras devem estar perfeitamente integradas, ficando na dependência de cada paciente, a predominância de umas sobre as outras.
Os locais para o atendimento da população de pacientes especiais devem estar junto às instituições que oferecem tratamentos globais para as deficiências abordadas. Nelas, o CD integra uma equipe de trabalho multi e interdisciplinar.
Dra. Lásara Dirli Gomes da Silva
Dra. Heloisa Tanure Moreiraa |
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