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O PROFISSIONAL ACIMA DO MARKETING


Em vez de escrever sobre as facilidades que o Marketing proporciona na conquista de pacientes, resolvi transcrever alguns casos de pacientes famosos que na maioria das vezes foram um problema para os profissionais da odontologia, como: George Washington (1732-1799), cujos dentes davam muito trabalho. Aos 22 anos quando lutava contra os franceses, seus dentes começaram a cair. A partir de 1775, combateu os ingleses sentindo constantes dores de dentes. Limpava-os com esponjas e raspadores, mas eles apodreciam, amoleciam e tinham de ser arrancados, até perder o último dente em 1796, um pré-molar inferior.

Washington chegou ao fim da Guerra Revolucionária com dentes falsos presos com arame aos naturais que lhe restavam. Para mantê-los, apertava o fio com pinças. Sua primeira dentadura tinha dentes presos a placas de liga de chumbo cobertas com cera de abelha. A dentadura pesava 85 gramas e usá-las era como carregar moedas na boca e não no bolso.

A dificuldade de carregar esses aparelhos na boca, sem que o maxilar superior ficasse protuberante como o de um coelho e o inferior como o de popeye, era agravada pelo par de molas de aço presa nas laterais para manter separadas as duas dentaduras. Normalmente essas molas deixavam os dentes numa posição de risada hilariante ou de dor aguda.

O Dr. John Greenwood era o dentista oficial de George Washington e apresentava-se como “o dentista do presidente Washington” uma perfeita publicidade para o profissional, aumentando assim a procura pelos seus serviços.

Na época era comum colocar as dentaduras ao lado do prato nas refeições, pois se usava dente falso para as aparências e a articulação, não para mastigar. Mas Washington não gostava desse hábito. Apesar disso, tinha o costume de guardar os dentes em vinho-do-porto durante a noite para evitar gosto ruim; seu dentista dizia que isso destruía o polimento e aconselhava cerveja no lugar do vinho.

Na casa dos 60 anos, Washington usava dentes de marfim fixados em ouro, e já no fim do século XVIII, os transplantes de dentes tinham se tornado tão populares quanto os de coração de hoje e como o gás hilariante só aparecia meio século depois, eles eram dolorosas expressões orais da distinção de classe.

O progresso da odontologia é magnífico, mas infelizmente liberou a oratória de um político que tinha dentes igualmente horrorosos, Adolf Hitler (1889 – 1945), conseqüência de uma vida inteira de fuga do dentista. A onipotência posterior permitiu que esses dentes fossem lindamente arranjados com ouro, e seus únicos monumentos comemorativos: foram usados pelos russos para identificar seu corpo e podem ser admirados num vaso em Moscou.

Esses dois casos ilustram o crescimento da odontologia através dos tempos, além de demonstrar o antigo interesse pela estética, hoje o marketing também é utilizado como parte da ferramenta para atrair clientes, mas na verdade é apenas o endereço de como chegar ao dentista, o que encanta o paciente é o profissional, a resistência do material utilizado e a tecnologia a serviço da odontologia. É claro que um ambiente agradável e a publicidade podem ajudar a encontrar o consultório.

fonte: A assustadora história de pacientes famosos e difíeis/Richad Gordon.
AHARON ALCOLUMBRE, especialista em Marketing pela FGV

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