HALITOSE AINDA É CERCADA DE MITOS
Especialista destaca o estresse e outros dados importantes
Em 2004, a Associação Brasileira de Pesquisa e Estudos dos Odores (ABPO) desenvolveu uma pesquisa em âmbito nacional, entre médicos e dentista, com o objetivo de avaliar o conhecimento dos profissionais quanto às principais causas da halitose e seus respectivos tratamentos. Ela apontou uma grande surpresa: existem profissionais defendendo o mito de que o estômago é o grande causador deste distúrbio, adotando procedimentos terapêuticos ineficazes. Mas a verdade é outra. Mais de 90% dos casos de halitose são oriundas de problemas bucais, 5% por afecções nas vias aéreas superiores e menos de 0,1% de problemas de estômago. (detalhes no www.abpo.com.br/pesquisas).
“A halitose é uma alteração patológica ou não que ocorre no ar expirado, que pode se tornar crônica. Sabemos que mais de 30% da população brasileira é portadora de halitose (Tárzia O, 1998), igualmente distribuída entre homens e mulheres, acometendo mais comumente adultos e idosos. Infelizmente, estes pacientes ainda desconhecem as verdadeiras causas de sua halitose e as perspectivas de tratamento”, diz Dr. Marcio Duarte da Conceição, atual membro do conselho consultivo da ABPO, e um dos sócios da clínica Halitus (SP).
ESTRESSE E ALIMENTOS FIBROSOS
No tratamento da halitose, o paciente é, inicialmente, submetido a uma consulta de avaliação na qual serão levantados os dados pertinentes a seu histórico médico (função pulmonar, gástrica, intestinal, renal, cardíaca, etc.) e odontológico. Em seguida, passa por exames específicos como a Sialometria (avaliação do fluxo salivar e funcionamento das glândulas salivares), Halitometria (medição dos gases que provocam a alteração do hálito através de um aparelho denominado Halimeter), teste de glicemia e, se necessário, um teste para avaliar o nível de estresse. Normalmente o paciente sente uma grande melhora nos primeiros 10 dias, e a duração do tratamento varia de 1 a 3 meses aproximadamente.
Não se pode considerar a halitose como uma doença, apesar do sufixo ose (alteração patológica). Trata-se de um sintoma ou um sinal que avisa algum desequilíbrio orgânico presente. Normalmente, o mau hálito acompanha alguma alteração patológica (diabetes, nefropatias, etc.), metabólica (estresse, uso de medicações, hipoglecemia, dietas protéicas, problemas hepáticos, etc.), ou algum desequilíbrio de ordem local (baixo fluxo salivar, saburra lingual, cáseo omigdaliano, doença periodontal, etc.).
O estresse é um dos fatores da halitose. Ele provoca no organismo inúmeras reações químicas importantes. Uma delas é a liberação dos hormônios adrenalina e cortisol, que causam algumas reações significantes como o aumento dos batimentos cardíacos e da freqüência respiratória, e a diminuição do fluxo salivar (hipo-salivação). Esta, por sua vez, leva a um aumento da concentração de mucina, proteína presente na saliva, responsável pela viscosidade, proporcionando uma saliva mais espessa e pegajosa.
Este quadro favorece a formação de placa bacteriana sobre o dorso da língua, chamada de saburra lingual, grande causadora do mau hálito.
Pacientes estressados entram mais facilmente em carência de vitaminas, pois elas são rapidamente consumidas para suprirem as necessidades estabelecidas em uma situação de estresse. A carência de certas vitaminas como, por exemplo, as vitaminas A e D, pode desencadear um aumento de descamação de células da mucosa oral acima do considerado fisiológico e, conseqüentemente, aumentar a formação de placa bacteriana, daí gerar halitose.
Os alimentos fibrosos, devido à sua consistência enrijecida, proporcionam um aumento do fluxo salivar por requerer um maior tempo de mastigação para que o alimento possa ser deglutido. Todos os alimentos que requerem mais mastigação, ou seja, que não são tão fáceis de serem deglutidos, estimulam a glândula salivar a desenvolver um trabalho mais intenso e, daí, produzir mais saliva. Além disso, os alimentos mais fibrosos promovem uma autolimpeza na boca devido ao atrito que elas provocam nos tecidos bucais, nos dentes e, principalmente, na superfície lingual, diminuindo a retenção de alimentos e a placa bacteriana sobre estas superfícies.
CAMPANHA DE PREVENÇÃO
A partir do momento da identificação das causas da halitose e da constatação que existe algum envolvimento de alterações de ordem sistêmica, o paciente é encaminhado para o profissional específico. Em geral, são aplicados respiradores bucais ou roncadores que necessitam de um acompanhamento otorrinolaringológico e tratamento específico para melhorar sua condição respiratória e conseqüentemente reduzir a formação de placas bacteriana que é agravada nestes casos. Em alguns poucos casos, um acompanhamento psicológico é receitado.
Desde 2000, no dia 22 de setembro, a ABPO promove o Dia Nacional de Combate ao Mau Hálito. Os CDs podem ajudar neste esforço de conscientização.
Para maiores informações acesse:
www.abpo.com.br;
www.mauhalito.com.br;
www.halito.com.br
Autor/Fonte:
Canal Arcoxia – Edição 03 – Ano 2005
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