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ATENDIMENTO AO PACIENTE ODONTOFÓBICO

É preciso compreender o princípio básico do tratamento de fobias de forma geral. As psicoterapias eficazes são aquelas em que o paciente é exposto gradualmente ao estímulo fóbico. È necessário que a ansiedade apareça em grau tolerável para que possa ser tratada. Vencemos o medo enfrentando-o progressivamente.

A ansiedade é uma sensação autolimitante. Diante do estímulo fóbico inicia-se um processo de tensão que atinge um patamar e declina ao longo do tempo, se a pessoa for exposta por tempo suficientemente prolongado. Por exemplo, alguém que tenha fobia de metrô deve ser colocada gradualmente em contato com os estímulos que provocam a ansiedade. Pode, na primeira semana, chegar até a estação. Com a repetição da ação a sensação de ansiedade declina. Depois poderá ir até a bilheteria. Na medida em que a ansiedade na nova situação declina poderá avançar algo mais, chegando até a escada rolante e, progressivamente, até a plataforma e, posteriormente, aproximar-se do metrô, entrar e andar nele.

O medo foi, progressivamente, superado. De que maneira? Encorajando e dando instrumental que permita à pessoa enfrentar aos poucos a situação ou estímulo fóbico, no exemplo do metrô, ao invés de evitá-lo para não sentir a sensação desagradável da ansiedade.

Procederíamos de maneira análoga na Fobia Social, um tipo de timidez patológica, exacerbada, onde a pessoa teme o escrutínio alheio. Tem medo de fazer ou dizer algo tolo, de se comportar inadequadamente em situações públicas. Em suma, de ser rejeitada. Para não sentir ansiedade, evita a situação social, o convívio social, com evidentes prejuízos.

Então fica a regra geral: tratamentos as fobias proporcionando à pessoa a exposição gradual e progressiva ao estímulo fóbico.

Na odontofobia temos respostas condicionadas de medo.

Na experiência clínica no tratamento destes pacientes podemos mencionar os fatores desencadeantes mais citados:

Medo de situações novas, do desconhecido.

    • Sensação do desamparo
    • Sensação de falta de controle
    • Sensação de imprevisibilidade
    • Narrativas de terceiros (parentes, amigos, outros).
    • O CD como imagem ameaçadora, incluindo situações mostradas na mídia; O medo antecipado da dor (ansiedade de antecipação) faz com que o limiar subjetivo seja alterado. Um quarto dos pacientes com fobia de dentista apresenta o quadro antes da primeira consulta.

No atendimento odontológico destes clientes o CD poderá utilizar técnicas comportamentais e ou farmacológicas, podendo, inclusive, utilizar-se do atendimento odontológico hospitalar.

Nos ateremos às técnicas comportamentais.

A totalidade dos pacientes odontofóbicos descreve sua expectativa em relação ao CD “ideal”. È descrito como “paciente”, “tranqüilo”, “seguro”, “muito competente”, “que se esmera em evitar a dor”, “que ouve e tenta compreender o medo do paciente”.

Comecemos com uma premissa básica: o CD deve investir numa “parceria” com o cliente ou, melhor ainda, num vínculo de cumplicidade, que permita o crescimento da credibilidade do profissional e da autoconfiança do odontofóbico.

Vamos integrar o que foi dito em relação às fobias e às qualidades do CD idealizadas pelo cliente e adaptá-las ao tratamento dos odontofóbicos.

    • O CD deve informar o paciente do que será feito, como e porque, numa linguagem clara e acessível. Deve estar atento às dúvidas, incentivá-las, esclarecê-las, não omitindo sua expectativa quanto à dor de cada procedimento. A antecipação efetiva do que ocorrerá diminuirá a ansiedade de antecipação e os pensamentos sempre catastróficos da pessoa fóbica, que espera o pior em tudo o que se refere à situação que teme.
    • A primeira consulta deverá ser bastante genérica e descontraída. Além da anamnese, aqui estão lançadas as bases da relação de confiabilidade Boa comunicação e empatia são ingredientes fundamentais.
    • É importante que o paciente seja reassegurado que um sistema de sinais previamente estabelecido (tipo erguer a mão ao primeiro sinal de dor) será obedecido, o que confere ao paciente o “controle” da situação, cuja perda ele tanto teme.
    • Se possível, incentivá-lo a assistir ao tratamento odontológico de outras pessoas (amigos, parentes, outros clientes), o que ajudará a desmistificar a sensação exacerbada de dor, percebida em situações anteriores.

SE SINTOMAS DE PÂNICO ESTIVEREM PRESENTES, O PACIENTE DEVERÁ SER ENCAMINHADO PARA UM TIPO ESPECÍFICO DE PSICOTERAPIA, DENOMINADA “PSICOTERAPIA DE EXPOSIÇÃO INTEROCEPTIVA”, MINISTRADA POR PSCOTERAPEUTA EXPERIENTE, SEMANAS ANTES DA CONSULTA. O MESMO OCORRERÁ CASO HAJA DESMAIO DURANTE A ANESTESIA.


Autor/Fonte:
Dr. Marco Antonio De Tommaso – Psicólogo e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo USP; atuou no Ambulatório de Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade; psicólogo das Agências Elite e L`Equipe de modelos.

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